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Prédios verdes ganham espaço nos canteiros


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14/02/2012

Postado por Davi Ribeiro Dorneles

Prédios verdes ganham espaço nos canteiros
De olho em uma postura politicamente correta mediante às questões ambientais, as construções ecologicamente sustentáveis começam a ganhar corpo entre as obras brasileiras.

Entre as alternativas estão o reúso de águas da chuva, pia e chuveiro, tecnologias de aquecimento e geração de energia, tratamento de lixo e utilização de materiais ecologicamente corretos nas construções a economia, que pode chegar a 30% em alguns casos, motiva construtoras, principalmente, do setor comercial.

De acordo com uma pesquisa recente do Sebrae, o número de empreendimentos que possuem selos verdes no Brasil ainda é pequena, mas a busca por soluções sustentáveis é cada vez mais comum entre as empresas do setor.

Ao contrário do que se pensa, nem sempre as soluções são muito mais caras do que as tradicionais, é uma questão de levar a opção à incorporadora e disseminar esse conceito, afirmou Natalia Buscarino, da consultoria EcoVerde, de Minas Gerais.

Exemplo disso, o engenheiro da Construtora EPO, Guilherme Santos afirmou que a empresa começou a atuar com pequenas ações, que trouxeram grandes reduções de custo para a empresa. Em um prédio que tem janelas amplas, de vidro, não há necessidade de acender as luzes antes das 18h. O aquecimento solar também é uma alternativa diz.

Ano passado a empresa também criou o Programa Desperdício Zero (PDZ). A coordenadora de Comunicação e Marketing, Carolina Lara, explica que há um acompanhamento da geração de resíduos para minimizar o desperdício e realizar o descarte adequado. As sobras de madeira são reaproveitadas em outras obras ou vendidas para empresas que precisam de lenha. Enfatizamos muito a conscientização ambiental dos funcionários e, além de promovermos treinamentos constantes, nós revertemos a renda do que arrecadamos com as sobras vendidas em churrascos e cafés da manhã, para estimular essa consciência, diz Carolina.

Na Construtora Líder, a prioridade é para materiais certificados, da matéria-prima ao acabamento. Os condomínios contam também com sistemas inteligentes de água e energia, aquecimento solar e coleta seletiva de lixo. O consumidor final valoriza isso, diz o superintendente-técnico, Henrique Álvares de Lima e Silva.

O vice-presidente de Materiais, Tecnologia e Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares Júnior, diz que esses recursos serão cada vez mais comum nas obras. Ele lembra que, há 20 anos, os índices de desperdício giraram em torno de 30% do custo da obra e, hoje, estão entre 5% e 6%.

Para o coordenador Técnico do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), Wellington Guimarães de Freitas diz que não existe uma construção autossustentável e, sim, construções mais sustentáveis que outras.

Algumas fazem reúso de água da chuva, pia e chuveiro, aproveitam a energia solar, mas para a autossustentabilidade por completo é preciso avançar muito, diz.

O executivo explica ainda que Goiás está muito acima da média de outros estados brasileiros no quesito obras sustentáveis, mas ainda está atrás de estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Esses estados estão concorrendo em quantidade de certificações com países da Europa, eles estão um pouco à frente, disse.

Para Viane Guirao, pesquisadora da Consultoria ITC, as construções verdes estão ganhando mais espaço. É notório este crescimento, em todos os segmentos há mais preocupação com as questões ambientais, diz.

Para o diretor da Loft Construtora Gustavo Veras, os equipamentos de tecnologia sustentável inserido em um dos empreendimentos do grupo resultaram em custos 3% mais alto do que o comum no custo total, mas o custo-beneficio é alto. Temos o apelo ambiental e o cliente sabendo que economizará energia ou água, então o retorno é certo, por isso o valor a mais não é atribuído ao preço do imóvel , disse.

O condomínio aproveita água da chuva e reaproveita águas cinzas (de pia de banheiro e chuveiro) que passam por uma estação de tratamento no subsolo e são usadas para irrigar os jardins do prédio, além de lavagem de piso.

Procura cresce

No Rio de Janeiro, os recentes investimentos para a Copa do Mundo e Olimpíadas, somados aos investimentos estrangeiros resultaram em mais preocupação com o meio ambiente, de acordo com números da consultoria Cushman & Wakefield, em apenas dois anos 40% dos novos prédios comerciais do Rio deverão ser considerados verdes.

A previsão da consultoria vai até 2013 e maioria dos novos edifícios ficará na região do centro. Hoje, 2,5% dos prédios comerciais da cidade são classificados como verdes.

Prova disso é que crescem os pedidos de certificações de sustentabilidade no País. Só do selo Leed (sigla em inglês para Leadership in Energy and Environmental Design), o aumento em 2011 foi de 140% em relação ao ano anterior, o que fez com que o país subisse do quinto para o quarto lugar no ranking dos países com mais edificações em certificação (429, no final do ano passado). Organização responsável pelo selo, o Green Building Council (GBC) faz o ranking nos 131 países em que está presente. À frente do Brasil, apenas Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos.

De qualquer forma, a tendência é clara. O selo Aqua, da Fundação Vanzolini, é outro que apresenta crescimento. Líder no número de certificações concedidas no País (50 até o fim de 2011, o dobro de 2010), o Aqua começou em 2008 analisando apenas prédios comerciais. Em 2010, lançou o selo para projetos habitacionais. Em 15 meses, foram certificados 13 prédios residenciais e um condomínio com 80 casas, quase todos no Estado de São Paulo.

De acordo com a Fundação, há propostas para outros seis empreendimentos. Esperamos fechar 2012 com ao menos 90 empreendimentos certificados no País, diz Bruno Casagrande, executivo de Negócios da Fundação Vanzolini.

Fonte: Clipimobiliario
Atualização: Terça, 14 de fevereiro de 2012 - 12:23:32



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