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Brasil, Europa e EUA: Como a crise financeira afetou a estrutura familiar


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17/01/2012

Postado por Roger Wolff

Brasil, Europa e EUA: Como a crise financeira afetou a estrutura familiar
SÃO PAULO - Os impactos da crise financeira mundial podem ser observados na estrutura familiar em todas as regiões do mundo. Na Europa e nos Estados Unidos, onde as perdas foram mais intensas, as famílias nucleares passaram a ser substituídas pela multigeracional.

Familias nucleares, compostas basicamente pelos pais e seus filhos, começam a dar espaço para as multigeracionais, ou seja, conceito que define aqueles lares onde convivem sob o mesmo teto diversas gerações, desde o avô até o neto.

Esse tipo de situação está ficando cada vez mais comum, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, fato este considerado supreendente para o diretor-geral da Voltage, Paulo Al-Assal. Nos EUA, principalmente, sempre foi costume a família nuclear. Os filhos, por exemplo, quando chegavam na época da faculdade, se mudavam para cidades distantes e lá construíam suas famílias.

Com a crise financeira, quando os membros da geração baby boomers – nascidos entre 1946 e 1954 - perderam 49% da renda pessoal, a situação começa a mudar, e os idosos voltam a viver sob o mesmo teto de filhos e netos.

Embora as famílias que se enquadram no conceito multigeracional sejam interessantes em diversos aspectos, é o lado financeiro o mais importante, já que nessa configuração os membros têm mais condições de enfrentar os desafios econômicos.

Além dos benefícios econômicos, Paulo explica que nos Estados Unidos questões relacionadas ao meio ambiente e à própria convivência com a família também pesam nessa tendência. Por muitos anos os norte-americanos viveram separados de suas famílias, e agora começam a dar sinais de que a convivência faz falta.

E no Brasil?
Se por um lado nos Estados Unidos e na Europa a crise financeira internacional afetou as famílias a ponto de interferir na tradicional estrutura familiar, no Brasil, o quadro é outro. A tendência que se observa por aqui é de cada vez mais os jovens irem morar sozinhos.

Como a crise financeira não afetou de forma tão intensa os brasileiros, e o País ainda vive um bom momento econômico, com renda crescente, os jovens encontram oportunidade de saírem de casa e constituir família.

Paulo explica que a cultura dos brasileiros é bem diferente da dos norte-americanos. Nem quando vamos fazer a faculdade saímos de casa, explica. Isso se deve tanto à cultura brasileira, de ser um povo mais unido, quanto à falta de recursos. No entanto, as condições econômicas atuais permitem que as pessoas saiam de casa, comprem ou aluguem um imóvel.

No geral, Europa, Estados Unidos e Brasil vivem momentos econômicos diferentes que impactam de forma específica na estrutura familiar de cada local. Por aqui, o Censo 2010 mostrou que o número de pessoas que moram sozinhas aumentou de 8,6% para 12,1% em uma década, diz Paulo.

Na avaliação do especialista, o aumento no número de pessoas que moram sozinhas nas grandes cidades se traduz em uma grande pressão sobre o espaço urbano, o que exige construções menores, mais eficientes e sustentáveis.

Por: Viviam Klanfer Nunes / InfoMoney
Atualização: Terça, 17 de janeiro de 2012 - 19:19:26



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